Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Grazi Massafera e Sabrina Sato eram vistas como as poucas ex-BBBs com carreiras bem-sucedidas, mas o BBB 20, do qual participou Manu Gavassi, serviu como ponto de virada no uso das redes sociais e do marketing pessoal
O Big Brother Brasil 21 consagrará mais um milionário no fim deste mês, após a edição mais longa da história: três meses de duração e um recorde de patrocinadores, que, juntos, renderam R$ 530 milhões em cotas publicitárias comercializadas pela emissora.
O reality show, que desembarcou no Brasil em 2002, vive agora uma nova fase, alimentada pela força da internet. O programa ultrapassa os limites da televisão e do pay per view do Globoplay e ganha vida nas redes sociais, principalmente no Twitter e no Instagram.
VEJA TAMBÉM: Quem é o empresário que está apostando no “Big Brother” para faturar R$ 1 bilhão
Uma participante em particular tem se destacando entre o elenco: Juliette Freire, advogada e maquiadora paraibana, está redefinindo a forma de jogar o Big Brother com o batalhão que se movimenta em seu favor fora da casa.
No último fim de semana, ela alcançou a marca de 20 milhões de seguidores no Instagram, superando até mesmo a participante Viih Tube, influenciadora digital que já começou o jogo em vantagem, com 16 milhões de seguidores. Com pouco menos de um mês para o fim do reality e o padrão de crescimento dos seguidores de Juliette, a participante deve bater ainda os números de ex-BBBs que fizeram sucesso na carreira artística, como Grazi Massafera (23 milhões) e Sabrina Sato (29 milhões).
E se engana quem pensa que são seguidores comprados. Prova do desempenho orgânico é o engajamento dos seguidores da paraibana. Ela já bateu a performance de nomes como Anitta, Beyoncé e Manu Gavassi, quebrando o recorde da cantora norte-americana Billie Eilish ao superar 1 milhão de curtidas em uma publicação em menos tempo na rede social. “Não existe marca ou pessoa que tenha se sustentado organicamente com seguidores falsos e automações. O que os números da Juliette mostram de engajamento não se consegue com robôs ou publicações patrocinadas. O conteúdo é humanizado, existe estratégia por trás, além do timing”, explica Fabrício Macias, CBDO (chief business development officer) da agência de marketing digital Macfor.
O especialista ressalta que a televisão ainda é uma grande vitrine – o principal meio de comunicação de massa -, e que a exposição em horário nobre é valiosa. “Quanto custam os segundos de exposição na Globo? Ao entrar no programa, o participante pode sair com R$ 1,5 milhão ou, pelo menos, uma exposição de meses na maior emissora do país. Se houver visão e souber monetizar, é uma fórmula de sucesso”, afirma o especialista.
A cada edição, os participantes se especializam e se organizam mais antes de entrar na casa. O BBB deixou de ser um programa de televisão e virou um negócio. Se a edição de 2020 foi marcada pelo crescimento do uso do marketing digital com a chegada dos participantes já famosos, como Manu Gavassi e Bianca Andrade, o BBB 21 será lembrado pela profissionalização dos ADMs, como são chamados os administradores das redes sociais dos participantes, que trabalham arduamente na criação da imagem e na mobilização do público aqui do mundo real, enquanto o jogo rola na casa mais vigiada do país.
Juliette Freire, participante do BBB 21, se tornou um fenômeno nas redes sociais, ganhando 20 milhões de seguidores e batendo recordes de engajamento no Instagram
A equipe de Juliette é a maior desta edição: a participante conta com 20 pessoas cuidando de suas redes sociais, entre amigos e voluntários que auxiliam na gestão dos perfis e na coleta de material para publicação. Antes de entrar no jogo, Juliette deixou com a amiga Deborah a senha da única rede que usava, o Instagram, na época com cerca de 3 mil seguidores e um único pedido: “façam o que for preciso”.
VEJA MAIS: Estratégia para reality show transforma Manu Gavassi num case de marketing
O time é dividido por núcleos e, em sua maioria, formado por profissionais de marketing digital de João Pessoa, onde Juliette morava antes do confinamento. Alguns chegaram a deixar clientes que atendiam para poder se dedicar 100% ao trabalho das redes da participante, que hoje gera conteúdo para Twitter, Facebook, Instagram, TikTok e Spotify, além de grupos no Telegram e WhatsApp. “Cerca de 50% do sucesso da Juliette vem dela. Conseguimos desenvolver um bom trabalho multiplataforma por causa de sua personalidade. Tudo que ela faz gera conteúdo e repercute”, explica Rallyson Chaves, head de conteúdo do TikTok da participante.
Boa parte da equipe principal já tinha trabalhado em campanhas políticas anteriormente e acabou replicando o método bem-sucedido nas redes da sister. A head de conteúdo para o Instagram de Juliette, Maria Tereza Falcão, afirma que o foco foi humanizar a participante, mostrando quem ela era antes do programa com imagens de acervo do próprio Instagram, além de caprichar na identidade visual e no contato com o público, que acaba trazendo muitas pautas para a equipe.
Antes mesmo de a participante deixar a casa, marcas – inclusive patrocinadoras – já começam a surfar na onda do seu sucesso. Juliette engaja sem nem saber e vende – algo que causa um frenesi nas empresas. Para a equipe, quanto mais, melhor: grandes marcas, como Seara e Avon, dão credibilidade à imagem de Juliette, fortalecendo o posicionamento da jovem no mercado. “É um teste que já estamos fazendo agora, sem ter sido planejado. Para nós foi positivo para testar o público, ver o quanto o nome dela engaja mais que os outros”, pontua Candy Ferraz, head do Twitter de Juliette.
A participante já está sendo procurada para campanhas pós-BBB por marcas de diferentes tamanhos, e todas as propostas estão sendo avaliadas pela equipe. A própria Juliette vai se encarregar de bater o martelo sobre o que fará no futuro. Para Fabrício Macias, caso não ganhe o programa, ela não demorará muito para somar R$ 1,5 milhão na conta. “Fazendo uma previsão conservadora, em meio ano ela consegue ultrapassar esse valor, cobrando no mínimo R$ 150 mil por uma publicação no feed do Instagram”, estima o especialista em marketing digital com base no engajamento e relevância da participante.
Com a profissionalização dos participantes do BBB e de suas equipes, é provável que cada vez mais vejamos milionários depois do programa. O que antes ficava limitado aos ganhadores do reality e aos poucos que seguiram carreiras bem-sucedidas, nem sempre ligadas ao entretenimento, agora tende a se potencializar com as comunidades criadas nas redes sociais e o dinheiro que roda nesse ambiente virtual. “A taxa de sucesso de pessoas depois do BBB vai crescer a partir de agora. O participante mostra quem é no programa e depois, nas redes, é fácil de encontrar, acompanhar. Muda-se a dinâmica do jogo com o poder da massa”, finaliza Macias.
Veja, na galeria a seguir, outros participantes que não ganharam a competição, mas faturaram alto – alguns até muito mais que o prêmio – após o programa:
Siga FORBES Brasil nas redes sociais:
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn
Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão
Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.
Tenha também a Forbes no Google Notícias.
O post Muito além do R$ 1,5 milhão: 11 participantes que fizeram muito dinheiro sem ter vencido o BBB apareceu primeiro em Forbes Brasil.









